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A nomeação do novo diretor merece uma reflexão sobre a forma como são tomadas decisões de liderança em organizações públicas e sobre o papel que os trabalhadores desempenham nesses processos.

Em vários países europeus, os trabalhadores não são meros destinatários das decisões, participam nelas. O modelo de cogestão prevê a presença de representantes dos trabalhadores nos conselhos de administração, permitindo-lhes acompanhar e influenciar decisões estratégicas. Modelos semelhantes existem, com diferentes configurações, em diferentes países, onde a participação dos trabalhadores é entendida como um fator de equilíbrio, legitimidade e qualidade da gestão.

Lamentavelmente, os nossos líderes políticos gostam de comparar Portugal com esses países, mas apoiam um modelo primitivo em que os sindicatos são considerados o adversário natural. O Governo nem sequer auscultou o STI sobre esta escolha, o que mostra incapacidade política. Ouvindo o sindicato pelo menos destrunfavam-nos nesse argumento, ainda que depois desconsiderassem tudo o que tivéssemos proposto.

Os procedimentos conduzidos pela CReSAP, continuam a suscitar dúvidas quanto à sua transparência. A informação disponibilizada não permite uma análise aprofundada. A transparência não é um detalhe administrativo: é uma condição essencial para reforçar a confiança nas instituições.
Quanto ao Engenheiro Mário Campos quem trabalha diretamente com ele e por isso o conhece bem, não poupa nos elogios quanto às suas qualidades humanas.

É curioso que aquilo que o Governo realça como positivo é precisamente o único ponto que o STI realça como negativo: o trabalho na transformação digital, interoperabilidade tecnológica e modernização de processos. Os programas informáticos utilizados pela AT são um labirinto de lixo informático do século passado, começando no GPS (programa pré-histórico de registo de fluxos de trabalho), passando pelo CRM (Customer Relationship Management), que de tão arcaico que é, ao invés de contribuir para a análise e gestão das interações com os contribuintes, leva os funcionários ao desespero, acabando na cATia, um bot de conversação sem neurónios!
O próprio Portal das Finanças é um bom exemplo externo, do labirinto interno a que nos referimos. Depois de 15 anos de retrocesso na AT, e apesar de o nosso novo Director Geral fazer parte da equipa da Directora Geral cessante, acreditamos que o Engenheiro Mário Campos vem com vontade de trabalhar com o Sindicato para voltarmos a ter uma verdadeira Autoridade Tributária e Aduaneira.

Nota: Realizou-se hoje mais uma reunião com a Senhora Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais e com a Senhora Secretária de Estado da Administração Pública, no âmbito do processo negocial setorial iniciado em janeiro do corrente ano. Nos próximos dias, após a devida análise e sistematização da informação partilhada, daremos conhecimento dos principais desenvolvimentos e matérias discutidas durante a reunião, bem como da avaliação efetuada pelo STI relativamente ao andamento deste processo negocial.

 

Saudações Sindicais
A Direção Nacional

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